Uniao de Blogueiros Evangelicos

Pb Sidney Moreira

Pastor tem de ter chamada de DEUS ou apenas Curso Teológico?

Certas igrejas só consagram obreiros ao Pastorado com curso Teológico. Isso é correto, à luz da Bíblia? Basta então o obreiro fazer um curso Teológico, nas caríssimas faculdades EVANGÉLICAS e, pronto, já podem ser Pastores de OVELHAS? Onde fica a chamada de DEUS, na vida do homem, para o pastorado???

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Tags: assembleia, bíblia, chamada, culto, de, deus, eventos, festividade, igreja, levita

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Respostas a este tópico

Gostaria de fazer uma observação sobre essa frase: "o grande problema nas igrejas, são os homens letrados". Em que um pastor que tem um chamado de Deus para o sagrado ministério e que se preocupa em se preparar para o exercício de tão importante mister pode ser um empecilho na igreja? Será por que sob a sua administração não se aceitarão certos modismos que só ocorrem naqueles lugares onde o pastorado possui uma educação indigente, não raro nem mesmo a instrução elementar e que por isso aceitam de bom grado certas superstições que só grassam nesses ambientes porque o pastor não está preparado para avaliar a dimensão das sandices que são praticadas e ensinadas na igreja ao ponto de se tornarem heresias e conseqüentemente a mentira chamada aleivosamente de avivamento prevalscer como regra até que toda a igreja esteja desviada como demonstrei nesse fórum e em outros, pela história mais recente da igreja? Será que é por que por sua melhor preparação para captar os modismos ele não permitirá que seu púlpito seja corrompido com coisas como sal ungido, trevos e flores consagradas, sessões de descarrego que parecem linchamentos e que ainda por cima submetem a quem passa por tal experiência a um constrangimento humilhante (fora fraturas e traumas que carregará por anos afora). Será por que por sua melhor preparação ele poderá compreender melhor a mensagem bíblica e assim melhor alimentar o seu rebanho em vez de ficar no achismo de uma hermenêutica de qualidade muito duvidosa que não entende (e não quer entender) o significado das expressões no seu verdadeiro idioma e assim fazer toda uma igreja sucumbir pela ignorância mais esdrúxula? Além disso, como permitir a permanência do império da estupidez numa sociedade onde os membros da igreja evoluem educionalmente a olhos vistos e percebem sem nenhum esforço a baixa qualidade da pregação desses indivíduos para a alegria do inimigo e para que toda a igreja de Deus na face da terra seja coberta de ridículo porque se regozija da sua falta de cultura.
Na época de Lutero havia uma comunidade que pensava dessa mesma forma. Os valdenses. Regozijavam-se porque acreditavam não haver necessidade alguma de qualquer estudo, de qualquer aprofundamento no ministério do ensino e da pregação da Palavra. Sobre os valdenses (que em nosso país são conhecidos como Congregação Cristã no Brasil) disse Lutero o seguinte:
Mesmo que ensinassem corretamente, vão errar muitas vezes na interpretação correta do texto. Igualmente ficam sem armas e são incapazes de lutar pela fé contra o erro. Além disso, sua causa é tão confusa e de caráter tão pessoal, fora da maneira de falar da Escritura, que receio que não seja limpa ou que não vai continuar limpa (...) resumindo: pode ser até que vivam e ensinem de modo santo entre si. Mas sem conhecimentos lingüísticos, vai faltar-lhes a mesma coisa que falta a todos os outros: não tratam a Escritura de modo confiável e incontestável e não podem ser úteis a outros povos. (Lutero Martinho. Educação e Reforma. S.Leopoldo, Sinodal, Porto Alegre, Concórdia, 1999, p.33)
Pelo visto Lutero fala ainda hoje, exorta, suplica para que a igreja assuma de uma vez por todas a responsabilidade pela educação do seu ministério e para evitar que seus púlpitos se transformem num celeiro de heresias!

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Se toda a inteligência é boa, e quem não usa da inteligência não aprende, segue-se que todo aquele que aprende procede bem. Com efeito, todo aquele que aprende usa da inteligência e todo aquele que usa da inteligência procede bem. Assim, procurar o autor de nossa instrução, sem dúvida, é procurar o autor de nossas boas ações. (Agostinho. O Livre Arbítrio 1.3)
Nunca disse que a formação em seminários precede o chamado, mas que prepara aquele que é chamado, isto é tão óbvio que não há nem necessidade de se repeitir isso nesse forum ou em qualquer outro. Também nunca disse que o conhecimento teológico fosse mais importante do que o resto, mais importante do que tudo é certamente o amor (I Co 13.13) que é o que mais falta em nosso meio especialmente nas igrejas onde dominam pastores indoutos e desprovidos de qualquer noção das necessidades de seus membros e que os matam espiritualmente por conta de sua crassa ignorância. O que eu estou dizendo e acho que não querem me compreender é que a formação teológica é importante para o exercício do ministério, pois o conhecimento é dom de Deus e nos foi dado para sua glória e seu louvor. Eu não estou dizendo que ela é mais importante que a fé mas que a fortalece afinal uma fé que não se compreende é simplesmente fanatismo. Além do mais, se Deus nos dá o conhecimento é porque Ele quer que o usemos para que a sua obra não seja exercida relaxadamente. Qualquer exame mais detido sobre a evolução da igreja evangélica no Brasil revela que a igreja evangélica, nos lugares onde ela cresceu, cresceu de forma doente, prejudicada por heresias para as quais os líderes não encontravam resposta, isto quando não eram os próprios incentivadores.
Talvez o exemplo mais patético do que signifique um ministério nas mãos de pessoas desse naipe é esse que eu vou relatar recolhido da História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil (Rio, CPAD, 2005). Um obreiro (felizmente não ficou o seu nome) pediu uma explicação para o missionário John Peter Kolenda sobre o significado das expressões maranata e anátema de I Co 16.22. "o pastor John Peter Kollenda (que tinha estudado teologia nos EUA) foi quem explicou o significado. anátema, que rizer pessoa excluída. Maranata quer dizer. O Senhor vem. o Texto quer dizer: se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema (amaldiçoado). O Senhor vem (p.196). Convém lembrar, apenas a título de informação, que as denominações pentecostais Congregação Cristã no Brasil e Igreja Deus é Amor que sempre tem resistido a formação teológica são hoje as que mantém as posturas mais heterodoxas em relação a doutrina, como por exemplo, no que diz respeito ao sectarismo (apenas eles serão salvos).

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"Um obreiro (felizmente não ficou o seu nome) pediu uma explicação"

Não sou eu que não cito. São as atas da CGADB que não registraram seu nome.

Pois é, Douglas!!! Como podemos notar, há uma discussão dos mesmos pontos, entretanto, persiste uma necessidade de que o que seja dito deva ser de própria autoria!!

Eu tenho colocado de forma bem explícita meus pontos de vista e sempre da forma mais cordata possível porque também acho que embora haja divergências, devemos também ter pontos de diálogo. Não vejo nada demais em citar alguém porque afinal isso reforça consideravelmente a argumentação e demonstra que não estou sozinho no meu ponto de vista.

Será que a alma deste obreiro pereceu porque ele (aos seus olhos) se tornou um exemplo patético??

De forma alguma. Tanto que eu disse. Felizmente não ficou o seu nome. Triste seria descobrir que ele fosse uma personalidade proeminente da igreja e, caso ainda esteja vivo, exercendo um ministério destacado.

Não se iluda! Milhares de portas de igrejas estão sendo abertas por homens que fazem um destes cursos de teologia espalhados pelo Brasil (tem até via postal!!!), ganham uma credencial e um diploma, se tornam pastores de formação teológica, sem jamais terem um real encontro com Jesus Cristo!

Há cursos e cursos. Esses que você menciona não podem ser de forma alguma levados a sério. Os cursos que são referência já são conhecidos do meio evangélico e pentecostal e podem ser facilmente identificados. Vou citar apenas dois, só para ficar nos mais ortodoxos. O Seminário Batista do Norte do Recife que em 2002 completou cem anos, e o Instituto Bíblico das Assembléias de Deus de Pindamonhangaba (SP), que ano passado concluiu seu jubileu de prata. Essas são instituições sérias em que qualquer cristão (inclusive você) podem estudar e ter a garantia não apenas do aprendizado mas também da pratica devocional da vida cristã.

Não se iluda! Milhares de portas de igrejas estão sendo abertas por homens que fazem um destes cursos de teologia espalhados pelo Brasil (tem até via postal!!!), ganham uma credencial e um diploma, se tornam pastores de formação teológica, sem jamais terem um real encontro com Jesus Cristo!

Pode ser. Mas também você há de convir que tem muita gente sem formação nenhuma, e em nenhuma área abrindo placa de igreja em qualquer lugar e reivindicando um pastorado que foi autoinstituído quando não foi foi consagrado por outro pastor tão ou mais despreparado do que ele. Pobres ovelhas!!!

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Quanto ao seu comentário sobre "Um obreiro (felizmente não ficou o seu nome) pediu uma explicação", e de ser um trecho constante da ata da CGADB, podemos notar a falta de espiritualidade pela qual temos notado através de diversos incidentes negativos para com aquela instituição que representa milhares.

Eu não vejo nada de mais. Se não ficou o nome dele decerto é porque o taquígrafo não teve tempo de anotar afinal nessa ocasião (1943) os registros das atas eram manuais e se o taquígrafo não teve tempo de anotar, o redator da convenção também
não teria como fazer.

"Mas, gostaria de ver um destes pastores teólogos cuidar de uma igreja no interior do Brasil, no vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, do interior do serrado nordestino, em plena floresta amazônica!!!"

Se a pessoa tem chamado de pastor ele vai pra qualquer lugar porque ama servir e ama as pessoas por quem vai trabalhar. Apenas para ficarmos nos exemplos mais conhecidos. Odilon Bernardes Ribeiro formado em Direito e em Teologia Seminário Batista Betel RJ) deixou em 2007 uma carreira estável como funcionário da administração penitenciária do Rio para missionar no sertão baiano onde hoje dirige o Lar Batista David Gomes. http://haggai.com.br/noticias_novo/435.php acesso 09/07/9 01:06. os reverendos presbiterianos Benedito Troques e Benjamim Benedito Bernardes atuam dirigem os trabalhos da Missão Caiuá que em Dourados é referência no atendimento de populações indígenas, sobretudo crianças. http://www.ipb.org.br/missoes/mec.php3 acesso 09/07/09 01:08. Temos também os casos dos estudantes da Missão Alem que fazem intercâmbio para aprender as línguas indígenas e poderem desse modo realizarem seu trabalho de levar um exemplar da Bíblia para os povos ágrafos (povos que não tem alfabeto escrito) um trabalho que leva em média trinta anos como se deu com o pastor batista Carlos Krieger que gastou exatamente esse tempo para levar uma tradução do Novo Testamento para os índios xerente. Como você vê há vários casos. O problema não é que pessoas eruditas não vão para esses lugares, se tiverem chamado de Deus vão para qualquer lugar. O problema também é a igreja prepará-los, capacitá-los e investir neles para que eles façam esse trabalho e como as igrejas no Brasil só pdoem contar consigo mesmas, a única forma de manter esses obreiros em campo é por meio de parcerias com o Instituto Haggai que possibilitou o missionário Odilon Ribeiro ir trabalhar no sertão baiano, bem como a parceria firmada com uma universidade local que tem possibilitado um trabalho de neurologia com as crianças. Assim se tiver recursos a obra anda. Não se trata de fazer uma pessoa renunciar a uma vida cômoda e mandá-la cumprir seu chamado nas condições mais adversas e deixá-lo desamparado sem apoio. A igreja tem o dever de sustentar esse trabalho e se tiver chamado ela irá sem dúvida. Aliás, só para lembrar mais um exemplo, esse bem conhecido de todos, Albert Schweitzer que em 1906 era professor de Teologia da Universidade de Estrasburgo, deixou a cátedra para voltar aos estudos - dessa vez de Medicina - para ir trabalhar entre os nativos da região de Lambarene no Gabão. Esse também tinha chamado para servir. Tanto que voltou para a faculdade para estudar (já era doutor em Teologia e Filosofia) para que pudesse ser assim útil aos seus irmãos na África.
Sobre essa carta de Wesley eu não posso dizer nada porque não sei de que site ela foi tirada. Mas no geral ela está dentro do conteúdo da biografia de Wesley que eu tenho em mãos. Não foge muito do estilo de vida dele. A propósito, vou reproduzir aqui um texto que dá uma idéia bem clara do que fora o caráter de Wesley.

Assim como economizava o tempo, poupava também o dinheiro. Mas o fazia para o bem dos pobres, e não em proveito próprio. Quando consentiu em aceitar o salário da Sociedade de Londres (até então ele recebia apenas os rendimentos como ministro da Igreja Anglicana e os vencimentos de suas funções docentes em Oxford) ele mesmo o limitou a uma modesta soma de 30 libras (algo equivalente a 750 dólares no final do século XIX). Mas depois de retirar de suas rendas o necessário para cobrir suas modestas despezas, distribuía o restante com os pobres. Sua maneira de viver era tão singela que, quando lhe perguntaram quanto valia seu aparelho de jantar, julgando que um homem tão notável possuía talhres de grande valor, respondeu. "tenho duas colheres de prata aqui em Londres e duas em Bristol, e não comprarei mais enquanto me rodearem pessoas que careçam de pão". Morreu pobre, como prometera a seus amigos e nada deixou em sua pobreza senão "uma grande estante cheia de bons livros, uma toga pastoral bastante usada, um nome escarnecido e... a Igreja Metodista. (Lelièvre Mateo. John Wesley sua vida e sua obra, SP. ed. Vida, 1997, p.345 - 346).
Sobre Wesley ter se indignado pela atitude do doutor Cocke e Francis Asbury eu acho que foi em decorrência da organização das sociedades metodistas nos EUA em 1784, quando Wesley concluiu os estatutos de sua organização episcopal. Aliás, diga-se de passagem que o próprio Wesley evitou o uso do termo bispo, preferindo o de superintendente já que ele não via relação alguma entre esse cargo e o episcopado anglicano. Assim, de certa forma ele estava certo de indignar-se que já que essa designação foi decorrente da própria estruturação das sociedades norte-americanas que decidiram incorporar o modelo episcopal como seu sistema de governo. (mesmo livro, p. 315 - 316) Mas é também inegavelmente um lindo testemunho de humildade. Me parece porém, que esse testemunho não é só restrito a Wesley já que Lutero, quando começou a se tornar comum o termo luterano para descrever o movimento por ele criado, apenas disse: como eu, miserável saco fétido de larvas que sou, cheguei ao ponto em que as pessoas chamam os filhos de Cristo por meu perverso nome? (...) Simplesmente ensinei, preguei, escrevi a Palavra, não fiz mais nada. (...) A Palavra fez tudo. (George Thimoty. Teologia dos Reformadores, SP Vida Nova, 1994, p. 55.) Ambos tinham idéia perfeita de que para se fazerem dignos de Cristo precisavam descer e se anularem para realmente lograrem a primazia de poderem ser realmente chamados de homens de Deus.

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Não sei dizer se são exceções, afinal toda regra tem exceções, mas é evidente que esses homens tinham chamado. Isso volta à nossa primeira reflexão. "Pastor tem de ter chamado de Deus ou apenas curso teológico?" Ele obviamente tem de ter chamado, mas se tiver mesmo o chamado ele irá se preparar e se capacitar, porque ele sabe que a função de cura de almas é essencialmente cuidar de pessoas e como fará isso senão conhece as necessidades espirituais e exisnteciais delas? por essa razão um curso teológico é importante. Não no sentido de confirmar o chamado (uma pessoa só vai fazer um curso teológico porque tem chamado). O curso teológico nos dá uma visão de mundo que vai além do ministério leigo e obviamente solidifica a nossa fé e confirma em nossos corações o chamado. O próprio Paulo não fala da diversidade de dons na Igreja? (I Co 12.4-5) e também não fala que o Espírito Santo distribui esses dons como lhe apraz, a cada um, individualmente (12.11)? Logo, o testemunho do Espírito Santo é fundamental para quem busca saber se tem chamado. E obviamente há muitas pessoas sem chamado para essa responsabilidade na igreja. Mestres e leigos.
A CHAMADA PARA O MINISTERIO
As exigências e as responsabilidades são imensas. Alem do mais, as cobranças do Senhor são maiores para nós que para os membros de nossas Igrejas. Disse Jesus: “... aquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e aquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão” (Lc 12.48).
Hoje muito obreiros não são chamados ao ministério pelo Espírito Santo, o resultado? Ministérios fracassados, muitos desses obreiros chegaram ao ministério por amizades e outros por ganância.
Se alguém tenta impor-se como obreiro, seu ministério será infrutífero, sua Igreja será decadente e terá prejuízos pessoais tão graves como o desvio ou até mesmo a apostasia, em decorrência da decepção que passará em seu ministério (Lv 10. 1-3)
O fato de alguém possui uma boa educação ou boa aparência física, até mesmo ter cursado um bom seminário não lhe dá a garantia de ser um bom obreiro (falo em termo de ministério), pois todos foram chamados a evangelizar, mais nem todos são vocacionados para o ministério quíntuplo. Há necessidades de uma chamada especial do Senhor (Ef 4. 11,12; At 20 – 28; Gl 1.1; Mc 3. 13-19). Por isso sonde bem seu coração antes de buscar o ministério. Peça ao Senhor que lhe mostre seu chamado. Se você estiver certo de que não é chamado para este ministério, siga a profissão para a qual você é vocacionado.
Porém a todos os homens e mulheres quem tem um chamado especifico, segue o conselho de Paulo....
"Procura apresentar-te aprovado como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja bem a Palavra de Verdade.

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